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Vilma Reis: “Os lugares mais privilegiados estão sob controle da ‘branquitude’”

Leia trechos inéditos da entrevista com a socióloga Vilma Reis, uma das coordenadoras do Ceafro/Ufba e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra:

Foto: Thiago Teixeira | Ag. A TARDE

Foto: Thiago Teixeira | Ag. A TARDE

>> A infância em Nazaré das Farinhas
Nasci no bairro de Marechal Rondon, em Salvador, e com dois anos fui para Nazaré das Farinhas. Me criei no Recôncavo com aquele orgulho todo das famílias negras de lá. Fui criada por uma mulher muito forte, a minha avó. Ela já havia criado 13 filhos e depois criou mais oito netos, por conta das interrupções impostas pelo racismo a seus filhos homens. Meu pai era ferroviário e sofreu um acidente na linha férrea. Ele saiu do hospital e assinou uma série de documentos que o fez perder muitos direitos trabalhistas. Ele não aguentou a pressão e foi parar no sanatório. Por isso fui para Nazaré. A minha vó é pra mim o principal exemplo, foi meu primeiro movimento negro. Ela dava diária nas casas das famílias mais abastadas e dizia pra gente: ‘Vocês não vão limpar a casa dos brancos’. Falando me arrepio. Então tenho essa responsabilidade de produzir conhecimento fora da zona de controle da casa grande.

>> O trabalho como empregada doméstica
Mesmo com essa batalha da minha vó, fui trabalhadora doméstica desta cidade até o dia 17 de fevereiro de 1988. Cheguei aqui com quase 14 anos e até os 19, quase, estava no trabalho doméstico para sobreviver. Nós entramos numa situação de pobreza muito dramática com esse golpe que meu pai sofreu. Trabalhei na Cidade Nova, Massaranduba e o último trabalho foi no Monte Serrat, e aí já era uma relação de trabalhar realmente para a classe média. Mas sempre continuei estudando. Essa voz da minha vó nunca saiu do meu juízo. Saí dessa casa em plena sexta-feira de Carnaval. Fui procurar meu pai, que estava morando em Itinga, e deixei minhas coisas com ele. Fui para Arembepe… É que depois que deixou a Leste, meu pai foi barraqueiro das festas de largo, e eu vinha sempre ajudar ele. Todo ano depois do carnaval meu pai levava a barraca pra Arembepe. Às vezes nós não tínhamos dinheiro para voltar e aí a gente ficava um, dois meses por lá. Era o lugar mais lindo que eu conhecia, então eu fui. Cheguei lá na beira da lagoa, me sentei, foi um rito de passagem, mesmo. Na volta consegui um trabalho como apontadora de jogo do bicho e vim morar aqui num pensionato no Dois de Julho. No final do ano decidi ir pra São Paulo. Trabalhei na Xerox do Brasil, mas não deu muito certo, não tinha redes de apoio em São Paulo. Voltei e me matriculei no Colégio Central. E lá realmente foi política na veia. Me tornei presidente do grêmio, numa eleição disputadíssima. Depois fundamos o Coletivo de Mulheres Negras da Bahia. Aí fui ficando muito mais com a cabeça dentro do movimento negro, do movimento negras, do que o movimento estudantil.

>> A chegada na faculdade
Em 92 terminei o ensino médio. Fiz vestibular para letras com inglês, na Uneb de Caetité. Mas não fiz o curso porque de ganhei uma bolsa numa ONG de mulheres na Áustria e fui morar lá. Passei um ano e meio em Viena. Estudei alemão, fiz um curso focado em comunicação e gênero, participei de uma ONG com mulheres brasileiras, que foi muito importante. Em 95 voltei para a Bahia e aí fiz ciências sociais na Ufba. No final da graduação concorri a uma bolsa e fui fazer especialização junto com outras duas mulheres negras, numa experiência pioneira na universidade de HOward, nos EUA, que é uma universidade negra fundada em 1865. Imagine, o Brasil hoje ainda está brigando para ter cotas.

>> Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra
O CDCN é um órgão colegiado da Sepromi, do qual sou presidente, e é muito importante dizer que as 21 pessoas que estão lá são voluntárias. Nosso papel é recomendar e monitorar as políticas públicas de enfrentamento ao racismo que são empreendidas pelo governo. Estamos tentando levar o Conselho para o interior, no ano passado visitamos 20 cidades. Tem algumas questões que estamos discutindo, como a necessidade de mexer na questão do poder, que é extremamente branco na Bahia. Os lugares mais privilegiados estão sob o controle da branquitude. Na universidade também é assim, na indústira. Nós temos um parque industrial na Bahia quase todo ele controlado pelo Eixo Sul-Sudeste. Os ricos baianos eles são tão afetados pelo racismo que não confiam nem de entregar a administração do seu dinheiro a outros brancos baianos. Isso é muito sério. A outra questão tem a ver com terra. A Bahia tem o maior número de comunidades quilombolas do País e temos muitos problemas de titulação dessas terras, com conflitos muito sérios, como é o caso de São Francisco do Paraguaçu. Para a bancada ruralista no Congresso, é questão de honra derrotar nacionalmente a demanda pela titulação dessas terras. As duas principais lideranças, morreram, vítimas do assédio das forças de segurança e de Justiça. São 11 fazendeiros disputando 1 território quilombola. É porque tem muita coisa embaixo daquela terra, não é?

>> Ceafro
Entrei para o Ceafro em março de 2000 e estou na coordenação desde 2004. Para o ano farei 10 anos de Ceafro. Temos diversas frentes: um projeto chamado “Escola Plural – A diversidade está na sala”, no qual a gente forma as professoras para trabalhar com os conteúdos da Lei 10.639, que insituiu o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana em todos os níveis de ensino. Também produzimos material didático. Tem outra linha, que é políticas públicas para a juventude negra, para fortalecer essa juventude no enfrentamento da violência institucional. E tem uma linha 3, com políticas de ações afirmativas no ensino superior, em que nos envolvemos com os estudantes cotistas. Porque entendemos que o estudante cotista tem que voltar à sua comunidade e fazer mais 100 jovens sentirem desejo de entrar na Ufba, na Uneb, na Uesb…

>> Traços da colonização no trabalho doméstico
De 2000 até 2006 nós fizemos um trabalho com jovens empregadas domésticas. Lamentavelmente elas não são reconhecidas como uma categoria trabalhista. Se tem algo nesse País que denuncia que as regras da colonização continuam vivas na sociedade brasileira é a forma como o trabalho doméstico é tratado. E nós estamos falando de uma categoria que tem 9,5 milhões de pessoas no País. Na Bahia, são 500 mil trabalhadoras domésticas, 50 mil só na RMS. Abaixo dos 16 anos, a legislação brasileira não permite. Fizemos uma pesquisa em parceria com outras instituições, em 2002, e constatamos que havia crianças de 10 a 17 anos trabalhando. Não é possível que uma pessoa que se respeita, que cria os seus filhos, vai deixar que seus filhos assistam uma outra criança sendo submetida à humilhação, a violência simbólica, física, psicológica, muitas vezes sexual. Essa pesquisa revelou que 33% das meninas sofriam algum nível de violência. É um índice muito alto, e 47% delas havia deixado a escola. Até 2006, trabalhamos com 360 adolescentes trabalhadoras domésticas, depois não houve mais recursos. Mas desse universo, somente uma recebia um salário mínimo. E mesmo assim, essa uma não tinha carteira assinada. 70% delas recebia entre R$50 e R$100, numa realidade que o salário já estava em R$ 350. O projeto foi fundamental. Hoje muitas meninas mandam notícias pra gente, muitas conseguiram entrar na faculdade. Tem uma menina que morava na região do Jardim Cruzeiro e quando ela passou na primeira fase do vestibular da Ufba, as mulheres da rua dela se juntaram para fazer uma festa. Era a primeira vez que alguém naquela rua passava no vestibular da Ufba, mesmo na primeira fase.

>> Gravidez na adolescência
Temos que discriminalizar isso. A menina fica grávida, mas ninguém discute o menino que a engravidou, ou o homem. As meninas negras elas são tão desrespeitadas pelo Estado, pelos homens, que às vezes pra elas ter um filho é quando elas deixam de ser ninguém para ser a mãe daquela criança. Essa compreensão é muito importante ter. Para não ficar só essa conversa de medidas sócio-educativas  para os meninos que estão em conflito com a lei e a criminalização da gravidez das adolescentes. Ainda tem gente que diz assim: ‘nossa, com tantos métodos anti-concepcionais hoje…’. Essas campanhas nem tem a cara dessas meninas. Acha-se uma modelo loira! Tem uma campanha agora de amamentação que é uma cantora loira da Bahia que faz a campanha. Poxa, claro que as mulheres não se veem naquela campanha.

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29 Responses to “Vilma Reis: “Os lugares mais privilegiados estão sob controle da ‘branquitude’””


  1. 1 Joilson

    Excelente entrevista. que a revista “MUITO”, continue entrevistando estes importantes personagens desta Roma negra.
    Parabéns.

  2. 2 Antonio dos Santos

    Uma das mais belas entrevistas ja publicadas na revista, estudei com Vilma Reis no colégio Central e fomos colegas de UFBA, ninguém melhor pra dizer tudo que disse com tanta propriedade e argumento, uma verdadeira lição a todos nós que preferimos viver na omissão que assumirmos nossa real condição de vida, sem politização e distantes de conquistá-la… parabéns a revista e a entrevistada!!!

  3. 3 Alicia (Buenos Aires , Argentina)

    Muy buena entrevista. Los problemas son casi los mismos en Argentina, donde se discrimina a las/los jovenes pobres. Hay leyes que protegen a las trabajadoras domesticas, pero a veces no se cumplen. Ahora hay mas relaciones a nivel de gobierno entre paises de America del Sur como Argentina y Brasil, pero es hora que brasileñas y argentinas se conozcan mas. El idioma no es un obstaculo y yo siempre leo A Tarde y Mundo Afro por Internet y estoy aprendiendo portugues, con ayuda de un diccionario y gracias tambien a la bahiana Maria Bethânia, que ademas de ser una gran cantora, canta y habla tan claro y con tanto sentimiento que uno la entiende. Parabens y gracias.

  4. 4 Érica dos Anjos

    Adorei a entrevista com Vilma Reis, extremamente pertinente.
    Não consegui deixar de reparar que uma reportagem de peso como esta perdeu “A Capa” para “100% Chiclete”.

  5. 5 everton dos santos

    parabens pela entrevista hoje me tornei mais feliz em saber que existem mulheres fortes e esxempalres na questao dos negros e negras na bahia Vilma Reis

  6. 6 Antonio Carlos

    Parabpens à repórter Tatiana Mendonça pela entrevista, pelas perguntas muito bem elaboradas. Parabéns a Vila Reis pelas respostas, muito bem fundamentadas. Em especial a questão sobre uso do termo RACISMO, pois a discussão semântica sempre aparece em debates sobre o tema, como forma de desqualificar o fato e desviar o foco central do problema que é não a gramática e sim o preconceito que de fato existe. A repórter proporcionou a chance do esclarecimento.

  7. 7 Paula Fanon

    Sem dúvidas Vilma Reis é uma referência não só para o movimento negro como para as mulheres negras !!!

  8. 8 Eliene dos Santos

    É com muito prazer e honra que leio a reportagem de Vilma Reis. Álias se lê, já deixa agente arrepiado, imaginem ouvir.
    Tive o prazer de conhecê-la nas oficinas do Programa de Combate ao Racismo Institucional da Secretaria Municipal de Saúde, e aí foi paixão e identificação na hora. Fiquei como Ponto Focal nesta estratégia e discutir a questão racial numa cidade tão racista como Salvador, foi um choque. Passei a entender os olhares, os comentários, as caras e bicos, isso tudo tem nome: Racismo. E com Vilma foi possivel entender e perceber as sutilezas que envolvem essa estratégia que tentam acabar com a nossa gente. “Não é coisa da nossa cabeça…”

  9. 9 Cristiane Copque

    Parabéns a revista Muito por trazer mais uma vez alguém em que possamos, nós, mulheres e comunidade negra ter alguma identidade.

    Que mais meninas e mulheres negras possam tê-la como exemplo e referência de que sim! é possível ser e fazer diferença e lutar pela superação do racismo.

  10. 10 Jocélia Tito

    Mt bela a entrevista! Tem vida! Já ouvi várias vezes Vilma, pois sou Ponto Focal da Assessoria de Promoção da Equidade Racial na Secretaria De Saude do Municipio. É forte e revela verdades que precisam ser discutidas. Parabéns a revista.

  11. 11 Inácio

    É uma pena que não tenhamos um espaço fixo para discussões e debates tão pertinentes a causa e situação da população negra. Felizmente, o pouco espaço que nos é “cedido” é muito bem aproveitado, linda trajetória de Vilma Reis.

  12. 12 Salamanda

    Força e discernimento, fica evidente que todas as palavras ditas por Vilma Reis são palavras de um plural negr@, um plural que vibra com esses passos em busca da amortização do racismo…Um entrevista como essa por exemplo.

    Vou dormir mt bem hj, obrigada Vilma!

  13. 13 Mario Nelson Carvalho

    Parabens ao Jornal A Tarde que tem nos permitido ter acesso a historias extraordinarias como a da Juiza Luizlinda Valois e
    agora nos premia com esse exemplo de luta de batalha , de conquista e sobretudo de cidadania que e’ a intrevista com Vilma Reis.
    Parabens Vilma Reis voce representa a esperanca a conquista e o que ‘e mais extraordinario nao abre mao – muito pelo contrario-
    da sua identidade Nago, do orgulho de ser Negra.
    Te respeito muito e te adoro.
    Sucesso pra todas e todos.
    Saudacoes
    Mario Nelson Carvalho

  14. 14 maria

    Gente assim, combativa e serena é um exemplo a seguir.

    Como posso entrar em contato com a senhora Vilma Reis?
    Gostaria de lhe pedir orientação no trabalho.

  15. 15 Tatiana Mendonça

    Olá Maria,

    O telefone do Ceafro, onde Vilma trabalha, é 3322-2517. Abraço

  16. 16 Kyrk

    A senhora Vilma Reis deve ser uma referência de sucesso. Principalmente para os que nasceram pobres e não dispuseram de uma “rede de apoio”. Inclusive muitos brancos que sonham, mas não conseguem chegar a uma universidade, a ter um mestrado, muito menos um doutorado!
    Mas, não deve ter o seu pensamento, na íntegra, escrito na Muito como referência para lutar por melhorias, por espaço, por progresso, por sucesso. Pois, demonstrou-se muito simplista, quase um clichê de recalcados.
    Tomemos apenas a cidade de Salvador como referência, onde 83% da população é negra, e basicamente suas colocações para as seguintes colocações:
    1) Não foi considerada a variável estatística da probabilidade (se 83% da população – logo, a grande maioria – é negra, qual a probabilidade de uma pessoa negra ser pobre? e de ser bandido? e de levar uma bala perdida? e de estudar em escola pública (sinônimo de baixíssima qualidade de ensino)? e de morar em favela ou comunidade pobre? e de ser morador de rua? e de fazer parte da marginalidade?)
    2) Não foi colocada a questão do controle de natalidade! Qual a probabilidade de um filho de morador de rua ser “alguém” na vida? É quase que absolutamente certo que será mais um morador de rua! Alguém que não contribuirá com a Previdência Social, que congestionará o Sistema de Saúde Pública. Por que não se promove ações para controlar a natalidade? Quantas e quantas mulheres se beneficiam do Bolsa Família, e já programam ter outros filhos para aumentar o benefício recebido? O Bolsa Família deveria, isto sim, beneficiar aquelas mulheres pobres que já têm um número de filhos aceitar ligar as trompas! Machismo?! Então tente convençer um homem pobre a fazer vasectomia.
    3) Referente à sua colocação “… buscar seus filhos mortos no IML …”: Mortos por quem? A grande maioria mortos por traficantes, bandidos.
    4) Referente à sua colocação “E nós somos a maioria! Os brancos têm o dinheiro que têm porque nós sobrevivemos.”: Então negros ricos são aproveitadores de negros? Creiam, existem negros ricos em Salvador.
    5) Referente à sua colocação “Eles precisam do nosso trabalho para ir se bestializar em Walt Disney…”: E se a maioria da população fosse branca, não precisariam do trabalho da maioria?
    6) Referente à sua colocação “Nossos jovens não têm vergonha da escravidão. Isso é muito grave.”: Grave é o número daqueles que sabem a história da escravidão!
    7) Referente à sua colocação sobre os programas Na Mira e Se Liga Bocão: É vero que são formatos que a mídia descobriu dar audiência por pessoas de baixo nível cultura, baixo nível intelectual. 8) Referente à sua colocação “… a colonização …”: Então por que não entra com um processo na ONU ou outro órgão internacional com uma ação de reparação contra Portugal?
    9) A senhora usando termos como “stand by” e “mise-en-scène” acha mesmo que a maioria da população, que é negra, vai entender?
    10) Finalmente, acredito que a raiz da continuidade da desigualdade social, econômica, cultural, intelectual, educacional, etc etc, são os políticos, não o governo em si, não a política em si, mas os políticos. Pois, eles precisam que existam esta maioria pobre, sem cultura, sem educação, sem quase nada, para poderem viver prometendo, enganando, mentindo, iludindo, de modo a se perpetuar, a si e seus familiares, no poder. Afinal de que vale uma população de sucesso (com alto nível cultural, intelectual, educacional) para se manterem no poder?

    Assim, nada disso é uma questão de se ser preto ou branco ou amarelo ou vermelho ou cinza ou rosa…

  17. 17 Bernadette

    Nossa como e bom a gente ter uma Vilma Reis para poder representar a mulher negra para outros paises .Adorei esta entrevista onde ela respondeu bem a verdade sobre o problema em que vivem as mulheres no nosso Brasil principalmente as da raça negra. Sempre comento que aqui no existe muito o preconceito racial e como existe sim.Eela com toda a propriedade sob isso falou . Tomara a Deus termos outras Vilmas pelo Brasil a fora e que esta sirva de grande exemplo para tantas outras mulheres de sua raça.Parabens Vilma por ter esta inteligencia , essa cultura, este dinamismo !Siga sempre em frente porque pigmento na pele não quer dizer nada, o que interessa e o que voce tem por dentro e isso não para qualquer um e para quem pode e voce pode Vilma , porque suas raizes são fortes como o sangue de seus antepassados. Um grande abraço e que os orixas iluminem seu caminho.

  18. 18 Walter Rui

    Parabéns Negra Maravilha,

    Gostaria muito de entender, o comentário da Sra. ou Sr. Kyrk e que vc querida amiga respondesse para a mesma com a maestria que lhe confere a sabedoria ancestral.
    Beijos,
    Walter Rui

  19. 19 Bruno

    Adorei a entrevista, essas palavras fazer reacender o desejo de justiça e igualdade em nosso estado…

  20. 20 Carla Aragão

    Lamento apenas que a foto de capa não tenha sido dada a ela nesta edição.

  21. 21 kirk

    CORREÇÃO

    A senhora Vilma Reis deve ser uma referência de sucesso. Principalmente para os que nasceram pobres e não dispuseram de uma “rede de apoio”. Inclusive muitos brancos que sonham, mas não conseguem chegar a uma universidade, a ter um mestrado, muito menos um doutorado!

    Mas, não se deve ter o seu pensamento, na íntegra, escrito na Muito, como referência para lutar por melhorias, por espaço, por progresso, por sucesso. Pois, demonstrou-se muito simplista, quase um clichê de recalcados.

    Tomemos apenas a cidade de Salvador como referência, onde 83% da população é negra, e a posição da Sra. Vilma para as seguintes colocações:

    1) Não foi considerada a variável estatística da probabilidade (se 83% da população – logo, a grande maioria – é negra, qual a probabilidade de uma pessoa negra ser pobre? e de ser bandido? e de levar uma bala perdida? e de estudar em escola pública (sinônimo de baixíssima qualidade de ensino)? e de morar em favela ou comunidade pobre? e de ser morador de rua? e de fazer parte da marginalidade?)

    2) Não foi colocada a questão do controle de natalidade! Qual a probabilidade de um filho de morador de rua ser “alguém” na vida? É quase que absolutamente certo que será mais um morador de rua! Alguém que não contribuirá com a Previdência Social, que congestionará o Sistema de Saúde Pública. Por que não se promove ações para controlar a natalidade? Quantas e quantas mulheres se beneficiam do Bolsa Família, e já programam ter outros filhos para aumentar o benefício recebido? O Bolsa Família deveria, isto sim, beneficiar aquelas mulheres pobres que já têm um número de filhos aceitar ligar as trompas! Machismo?! Então tente convençer um homem pobre a fazer vasectomia.

    3) Referente à sua colocação “… buscar seus filhos mortos no IML …”: Mortos por quem? A grande maioria mortos por traficantes, por bandidos.

    4) Referente à sua colocação “E nós somos a maioria! Os brancos têm o dinheiro que têm porque nós sobrevivemos.”: Então negros ricos são aproveitadores de negros? Creiam, existem negros ricos em Salvador.

    5) Referente à sua colocação “Eles precisam do nosso trabalho para ir se bestializar em Walt Disney…”: E se a maioria da população fosse branca, não precisariam do trabalho desta maioria?

    6) Referente à sua colocação “Nossos jovens não têm vergonha da escravidão. Isso é muito grave.”: Grave é o número daqueles que não sabem a história da escravidão (especialmente no Brasil!)

    7) Referente à sua colocação sobre os programas Na Mira e Se Liga Bocão: É vero que são formatos que a mídia descobriu dar audiência por pessoas de baixo nível cultura, baixo nível intelectual.
    8) Referente à sua colocação “… a colonização …”: Então por que não entra com um processo na ONU ou outro órgão internacional propondo uma ação de reparação contra Portugal?

    9) A senhora usando termos como “stand by” e “mise-en-scène” acha mesmo que a maioria da população, que é negra, vai entender?

    10) Finalmente, acredito que a raiz da continuidade da desigualdade social, econômica, cultural, intelectual, educacional, etc etc, são os políticos, não o governo em si, não a política em si, mas os políticos. Pois, eles precisam que existam esta maioria pobre, sem cultura, sem educação, sem quase nada, para poderem viver prometendo, enganando, mentindo, iludindo, de modo a se perpetuarem, a si e seus familiares, no poder. Afinal, de que vale uma população de sucesso (com alto nível cultural, intelectual, educacional) para se manterem no poder?

    Assim, nada disso é uma questão de se ser preto ou branco ou amarelo ou vermelho ou cinza ou rosa…

  22. 22 Antonio Henrique

    Bom dia! Gostaria de parabenizar a Vilma Reis; a muito que se discuir em relação ao racismo, políticas públicas para os afrodescendentes e ações afirmativas. Os jovens negros da periferia de Salvador estão jogados no submundo das drogas, refém dos tráficos de drogas. Por que a população carcerária são de jovens negros e afrodescendentes? Assiste as reportagens sobre a violência que assola Salvador. Foram detidos 11 (onze) jovem negros. São jovens negros que não tem expectativa de vida. Por que será que estão nesta siuação? A falta de políticas públicas,sim, para os negros. Temos urgente que pensar e agir para melhorar a situação do negros na sociedade baiana.

  23. 23 Carla Cruz

    O comentário de Sr/Sra Kirk é mesmo ‘interessantíssimo’..

    Acho relevante a lembrança da importância e referência de sucesso da nossa querida Vilma Reis. E, por isso mesmo, sugiro que procure conhecê-la melhor, busque vídeos sobre palestras suas na internet, busque assistir algumas delas ao vivo também. Quem sabe até falar-lhe diretamente. E, importante, não esqueça-se de que só se publica nas reportagens aquilo que é mais conveniente.

    Seus argumentos (Sr/Sra Kirk) são típicos daqueles que não reconhecem o preconceito escancarado em nossa sociedade, disfarçado de BLACK IS BEAUTIFUL, NEGRO É TUDO DE BOM, SE ASSUMA SER NEGÃO É MASSA, e por aí vai.. Esse se assuma, inclusive, é ótimo. É uma afirmação bem relativa. É massa para quem? E que massa é essa? Quem comanda essa massa? O que é massa, aliás? Vale a pena refletir.

    Assim como o Sr. Walter Rui, também gostaria de ouvir as respostas a essas considerações. E, comentando a colocação da Sra. Carla Aragão, por que será que a capa não foi dela?!?
    O que sei é que nada sei.
    Certamente questões como estas, levantadas pelo Sr/Sra, nos ajudam a reafirmar nossa posição e nos dão a certeza de que nossa luta não é em vão. Essa conscientização é trabalho de formiguinha. Mas, chegaremos lá. Com certeza!

    Abraços e Axé a todos.

  24. 24 maria

    Carla Cruz,

    Emocionou-me, tua intervenção. Coerente e sensata.

    Tatiana Mendonça, obrigada pelo orientação e o telefone.

    Vou conhecê-la. Tenho um pequeno projeto e desejo sua opinião.

  25. 25 Hermano Santos da Bôa Morte

    É gratificante poder ler essa entrevista da Vilma Reis, nessa revista e o mais interessante é poder ler depois as reações dos que não querem aceitar os novos tempos de conquistas.
    Essa tal pessoa que se identifica como “KIRK” é o maior exemplo da COVARDIA de parte dessa sociedade ipócrita e injusta, que nem ao menos conseguem aparecer com suas identificações pessoais.
    Sra., sejá lá quem for, estamos muito cientes do que estamos recebendo dessa sociedade e o mundo está mudando, mesmo que; o Brasil e em particular, a Bahia, estejam demorando a acompanhar.

  26. 26

    E os morenos? Como ficam nessa história?

  27. 27 Junior

    A professora Vilma Reis é referência para a população negra de Salvador. Alguém que teve a coragem de quebrar as amarras e lutar pelos seus ideais. Não é incomum comentários como desse tal “Kirk”. É a reação racista normalmente expressa quando a branquitude se vê ameaçada pelo desenvolvimento sócio-cultural dos negros.

  28. 28 Willian Antunes

    Muito Bom!

    Obrigado Vilma Reis!

  29. 29 Marcos

    Fico muito ogulhoso em saber que o trabalho de uma conterrânea é reconhecido, pela grandeza e riqueza de opniões e fatos vivenciados, que culminaram na existencia deste personagem brilhante.
    Que você tenha sempre força e ânimo em seu objetivo. Parabéns.

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