Muito indica: Nova Mente

postado por Tatiana Mendonça @ 9:19 AM
24 de janeiro de 2012
Daniela Castro

 

Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A Tarde

Quem for fã ardoroso de Claudia Leitte deve sair de casa prevenido. A cantora é uma das principais vítimas da ironia afiada de Los Catedrásticos, que estão de volta com Nova Mente, em cartaz no teatro Sesc Casa do Comércio. Mas a “neguinha mais loirinha da Bahia” não é a única a sambar no recital, que reúne Cyria Coentro, Jackson Costa, Maria Menezes e Ricardo Bittencourt, sob a direção de Paulo Dourado. O pagode é a principal matéria-prima do espetáculo, que lança um olhar bem-humorado e crítico sobre a música popular baiana das últimas duas décadas. Do final dos anos 1980 – bons tempos! –, o quarteto recita canções inesquecíveis, como Faraó. Dos dias de hoje, põe na roda tudo quanto é sorte de “quebra”, “arreia” e “rala” das letras que tão bem fazem à autoestima das mulheres.

Nova Mente | Sábados, às 21 horas, e domingos, às 20 horas. Ingressos:  R$ 40 (inteira). Até 25 de março.

A Bahia que está viva

postado por Tatiana Mendonça @ 9:04 AM
24 de janeiro de 2012
Aninha Franco

Trinta anos sem Elis Regina e um verão invernal destruindo casas e matando humanos no Sudeste. Um dos ministros que compartilham o poder, o da integração nacional, culpou a natureza. Pode ser… a natureza cria humanos. Mas na Bahia que choveu pouco, morreu ainda mais gente, porque Salvador detém, agora, o título de 22ª cidade mais violenta do planeta, e ultrapassou Simões Filho, cidade apenas mais violenta do Brasil. Estamos imbatíveis. A violência não nasce, estreia e faz temporadas em todos os lugares.

Meu amigo Júnior Liberdade, do bairro homônimo, diz que ela está por lá há décadas. Minha amiga Tânia Moniz acabou de detectá-la no Yacht Clube. Contudo, Caetano assegura que a Bahia está viva, Nana diz que ela vive na Sorveteria da Ribeira, e Risério propõe uma Primavera Árabe no Verão. Nós, que estaremos na Bahia no Outono e no Outubro, que mandamos artistas para o mundo e recebemos traficantes, precisamos pensar na vida que nos resta.

Ainda. E com cuidado. Ponderando que o prefeito João Henrique estreou em 2004, pelo PDT, com apoio maciço das “esquerdas” baianas, foi reeleito pela centralidade do PMDB, apoiado no segundo turno pelo PFL, e agora é do PP do ministro Negromonte, aquele que chora, aliado de quase todos os partidos do País. Ou seja, toda a política partidária brasileira, sem exceções, é mãe do prefeito de Salvador. E nós, que o elegemos, fomos levados às urnas pelo poema de amor de Drummond, Quadrilha, de Pedro que amava Dora, que amava Lia e que define com precisão nada poética a política brasileira contemporânea.

Com os poderes caindo de podres, o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. Com os Poderes gastando o recolhimento dos impostos com privilégios imperiais ou coisas piores, podemos criar um novo sistema político que nos proteja dos Poderes, o Sistema Tupinambá, que abandonava o território quando o cacique era incompetente, fazendo o inverso, um ostracismo subsidiado, que mantenha políticos, juízes, funcionários públicos do Senado distantes dos cofres, para que a sociedade possa fazer da vida que lhe foi destinada alguma coisa melhor do que um sorvete.

Conceitual chique

postado por Tatiana Mendonça @ 9:00 AM
22 de janeiro de 2012

Foto: Mila Cordeiro | Ag. A TARDE

O DJ baiano Ariel Freitas, 34, habitué da noite soteropolitana, costuma receber propostas indecentes. Como, por exemplo, tocar de graça só para aparecer num flyer ao lado de um famoso colega europeu que embolsaria 70 mil euros pela noite. Claro que ele não aceitou. “Valorizo o meu trabalho”. Para seguir nessa trilha, incentivou a namorada, a produtora Ágata Fidelis, 26, a criar uma agência de DJs, formato ainda inovador nestas plagas. A recém-nascida AFDeejays  tem pouco mais de dois meses e agencia outros quatro profissionais, além de Ariel. “A ideia é trabalhar com pessoas que tenham um som incrível, chique, nada comercial”, conta Ágata. Para impulsionar a divulgação da agência, a dupla criou a festa Fine Concept, que acontece todas as quartas-feiras na San Sebastian (Rio Vermelho) até meados de fevereiro. “Esse som mais conceitual só se via aqui num cenário underground demais, naquela coisa meio lixinho, sabe? E a gente quer oferecer uma estrutura fantástica”, emenda a moça, que ainda não se arriscou nas carrapetas, talvez por conhecer a opinião do namorado a respeito dos DJs aventureiros. “Tem muita gente que toca sem nenhum embasamento teórico ou prático. É uma tristeza isso. Acabam prostituindo e denegrindo a cena”. Ariel fez seu primeiro curso em 1994, no Rio de Janeiro e, desde 2003, movimenta o cenário eletrônico de Salvador. No Carnaval, ele estará agitando os vips do camarote de Daniela Mercury.

Ouça o onovo set de Ariel aqui 

Sinfonia do suingue

postado por Tatiana Mendonça @ 10:24 AM
18 de janeiro de 2012
Nadja Vladi

Foto: Vaner Casaes / Ag. A TARDE

A música começa com uma grande sinfonia, imponente, cheia de sopros. No meio de toda esta orquestração, entra a batida do pagode, “desconcertando” a sonoridade erudita, que se mistura a sintetizadores e percussão. A combinação com um dos ritmos mais ricos surgidos na Bahia contemporânea parece harmonizar-se simetricamente com a disciplina sinfônica.

No meio deste encontro entre o pagode e a sinfonia, também cabe muita improvisação jazzística. Musicalmente, estamos falando de um turbilhão de sons orquestrados pelo maestro sergipano Hugo Sanbone, 34 (san, de safoxone, e bone, de trombone). Foi dele a ideia de criar uma big band com este conceito musical, no qual a suingueira quebra a rigidez do erudito.

Tudo começa em Aracaju, quando Hugo, aos 9 anos, passa a tocar na filarmônica da sua escola. Autodidata por formação, o garoto aprendeu a ler e escrever partituras sozinho. Há 11 anos veio para a Bahia “para ser feliz”, como faz questão de frisar. Em Sergipe, tocava sanfona em forrós animados; por aqui, conheceu o pagode e foi enfeitiçado por sua riqueza rítmica.

Tocando em bandas como Psirico e GuigGueto, Hugo percebeu que ali havia uma célula musical muito vibrante e resolveu unir esta sonoridade ao seu gosto pela música sinfônica. Assim, surgiu, em 2009, a Sanbone Orquestra de Pagode. “Queria tocar com mais alegria em um ambiente que é mais disciplinado, o erudito.”

A Sanbone tem um timaço de músicos, que tocam com estrelas como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Harmonia do Samba, Araketu, Rumpilezz… E todos participam de maneira entusiasmada desta experiência que é a desconstrução que o pagode faz nas sinfonias. “Passamos pelo erudito, colocamos distorção de guitarra e os sintetizadores. São sinfonias que se abrem para a improvisação”, explica Hugo.

Efeito Rumpilezz

Na verdade, a Sanbone é parte de um novo movimento da música instrumental produzida na Bahia, que tem como principal referência a Rumpilezz, do maestro Letieres Leite. “Interessante ter uma orquestra baseada em um ritmo local, que vê o pagode contemporâneo de forma diferenciada”, diz Leite. Se na Rumpilezz, o ritmo está representado nos sopros; na Sanbone, a abertura é sinfônica e, somente no meio do prelúdio, vai mudando para o pagode. A sinfonia anunciada descamba na suingueira.

Após um ano de ensaios e concertos no Solar Boa Vista, a Sanbone prepara o primeiro álbum para ser lançado logo após o Carnaval, com uma canção exclusiva feita por Saulo Fernandes, da Banda Eva, Bahia com P. Saulo é um apaixonado pela beleza rítmica do pagode e ficou encantado com a orquestra. “Já tive outros encontros com Hugo e pirei na ideia da Sanbone. Escrevi Bahia com P, ele fez um arranjo genial e Márcio Victor canta comigo”. Para quem torce o nariz para o ritmo por conta das suas letras machistas, ouvir a Sinfonia Primeira de Pagode pode mudar vários conceitos.

Salvador vai se mover em 2012?

postado por Tatiana Mendonça @ 9:13 AM
16 de janeiro de 2012
Aninha Franco

Portugal escondeu o Brasil durante três séculos. Livros que enumeravam suas riquezas foram destruídos. Era proibido visitar o País até 1808, quando D. João VI abriu os portos a uma nação “mui amiga”, a Inglaterra, para onde já iam nosso ouro, açúcar, fumo e pau-brasil. Com a República (1889), os portos se abriram e as riquezas foram expostas, mas quem apresenta um lugar são seus artistas, atletas, historiadores, que, por ausência secular de políticas inteligentes, continuam devendo ao mundo um Brasil verossímil. O Planeta desconfia que somos uma selva onde cobras, onças, índios, o Rei Pelé, Carmen Miranda e mulatas seminuas interagem ao som de Garota de Ipanema. Os intelectuais conhecem Machado de Assis e Jorge Amado, Glauber Rocha, Walter Salles e Fernando Meirelles. E, com esses componentes, apenas, nem o Brasil conhece o Brasil.

A Sociedade brasileira ainda não assimilou que é um conjunto de indivíduos que vive em território comum, obedecendo às mesmas leis e costumes, e começa, só agora, a digerir isso, lentamente, desenroscando-se do berço esplêndido em que dorme, uns nos camarotes, outros nas ruas, individualista e alheia ao coletivo. Há sinais do entendimento de que Público e Privado são conceitos diversos, e que se ela, Sociedade, não limitar isso, sua política, extrato dela, continuará fazendo desses antônimos, sinônimos, em proveito de alguns espertalhões. Que se o caminho dos impostos que paga não for fiscalizado, eles continuarão desviados da estrada coletiva para os atalhos particulares, sistematicamente.

Acidade da Baía se move para transformar a pele política, como o Brasil, e neste ano tem a oportunidade de eleger uma câmara de vereadores para fiscalizar o prefeito, e um prefeito para gerenciar suas necessidades. Os políticos já estão em campanha, com obras em movimento, o metrô, a Avenida  Vasco da Gama, o Pelourinho, e outros banhos de insensatez, tentando mostrar serviço. Não nos enganemos. Serviços públicos são estado permanente de limpeza, transporte, educação, segurança e eficiência, que realizados apenas em ano de eleições só servem para eleger.

Daniel Boaventura na Muito deste domingo

postado por Nadja Vladi @ 9:57 AM
14 de janeiro de 2012

Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

O ator Daniel Boaventura, 41, conversou com o repórter Ronaldo Jacobina sobre seus projetos. Leia a entrevista na íntegra na edição da Muito deste domingo.

Você acabou de gravar a série Dercy, o musical Evita, fez turnê pelo Brasil com o show Songs 4 U (que reapresentou ontem em Salvador) e já se prepara para encarnar Gomez, ao lado de Marisa Orth, no musical A Família Adams. Sobra tempo para você, para a família?
Na realidade, tem uns hiatos aí. No caso de Dercy, foram duas cenas que gravei em dois dias. No Tapas e Beijos, eram dois episódios, que viraram quatro e por aí foi. A maioria dessas participações em televisão são gravadas com antecedência. No geral, dá conta de fazer outras coisas, de dar atenção às minhas filhas Mas dá para conciliar. Quando entra novela, aí fica mais complicado, mas sempre dou um jeito de estar perto de minhas duas filhas.

Seu contrato com a Globo foi renovado por quatro anos. O que vem por aí?
Ainda não me disseram. Acho que, em novelas, não tem nada para este ano. Por sinal, este é meu primeiro contrato com a emissora. Antes, eu era contratado por obra.

Entre a força e a ternura

postado por Tatiana Mendonça @ 9:17 AM
10 de janeiro de 2012
Ronaldo Jacobina

 

Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

Quem conhece Daniella Pitta, 37, só de vista, dificilmente acertaria a sua profissão. A menina de modos delicados e sorriso terno comanda uma das  maiores empresas de segurança privada da Bahia, a Pitta Segurança. Formada em publicidade e propaganda, Daniella é a filha do meio do major Pitta, fundador da empresa, que viu na filha o que ninguém conseguia enxergar: a força e a determinação necessárias para assumir a gestão dos seus negócios. Quando concluiu a graduação, ela  vislumbrava uma carreira promissora como publicitária. Montou a primeira agência virtual da cidade, mas seu Pitta continuou insistindo que ela levava jeito para o negócio de segurança. Daniella não cedeu. Passou a dividir a área de criação da agência com a guitarra e o vocal da banda Penélope Charmosa. Apesar da paixão pela música, não conseguiu fugir ao desejo do pai. Assumiu a área de marketing da Pitta e fez inovações na gestão dos negócios, como a implantação das áreas de segurança de grandes eventos, de shows e particular. Passou por todos os setores da empresa e ganhou a confiança da família e do exército de mais de 300 seguranças, que comanda com mão de ferro. “É o meu lado racional”. O  pai se afastou e ela passou a dirigir a empresa, que só faz crescer. Ao contrário de posar de executiva, fica à frente dos seus “soldados”. O próximo desafio será no Festival de Verão, quando entra em cena às 14h e segue até as 7 da manhã. Durante quatro dias.

Na velocidade da luz, o verbo

postado por Tatiana Mendonça @ 11:50 AM
8 de janeiro de 2012
Aninha Franco

Confúcio marcou a revolução para o dia em que cada palavra emitida fosse recebida no seu significado exato. J. J. Veiga sugeriu que os humanos recebessem fala aos metros. Entre os extremos, o verbo, o do principio, o que usa a voz para ligar humano a humano, voa mais rápido que a luz. A nova Torre de Babel, construída em silêncio, chama-se era digital. A emissão, ex-propriedade privada, ampliada no cinema, no rádio, na TV e na internet, já não tem mais donos. É de quem emitir. E de quem abrir uma das bilhões de garrafas atiradas por segundo ao mar da comunicação.

Os políticos que sempre prometeram sem falta e faltaram sem dúvidas, prometem diante de celulares, filmadoras, aparelhos rígidos para receber e (missões) que chegam e vão à rede como camas de pular. E a rede é um espaço violento, como o universo real. Em crise, a oposição carece de verbo. Em crise, a arte carece de ética, não de estética. Voz que vende confunde o receptor. O que vende agora? Por onde essa voz andou nos anos de chumbo? O que disse essa voz aos anos perdidos? A voz tem verbo?

O planeta, encolhido, expõe. E pergunta: os líderes negros que condenam o racismo não leem nos jornais o resultado da desigualdade matando como nunca jovens na Baía? Por que os líderes brancos, que falam mais do que a nega do leite, não caminham entre a violência e a sujeira das ruas? É fácil ser republicano, democrata, liberal atrás dos muros. Os brasileiros que a ditadura separou, no consumo cultural, estão juntos, nas redes. E querem fazer.

Há sempre mais espaço para dizer do que ouvir. O velho umbigo emissor busca orelhas, olhos, neurônios no YouTube. O mendigo, o artista, a criança, o cachorro, a mulher que dança pagode, o Black Style, a deputada marqueteira, o axé de Curitiba, a careca de Marcos Valério, os 15 minutos de Michel Teló, milhares de livros à cata de leitura, a pregação de Sarah Shiva, a língua do filho de Jader, os ex-presidentes. Dos receptores, poucos sabem alguma coisa.

Conforto à beira-mar

postado por Tatiana Mendonça @ 8:29 AM
8 de janeiro de 2012
Kátia Borges

Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

Quando as barracas foram ao chão, Fábio Lacerda, 32, dono da Marguerita, não desanimou. Com oito anos de praia e dois outros empreendimentos abertos – o Caranguejo do Farol, na Barra, e o Toyo, na Graça –, decidiu que encontraria um terreno bem bacana, à beira-mar, que pudesse abrigar um bar e restaurante confortável. Conseguiu. Desde novembro, o Pipa (que é também o apelido do empresário) abriu as portas em Praias do Flamengo. Um dos fortes do lugar é a comida, especialmente as moquecas (entre R$ 57 e R$ 81) e o peixe frito (R$ 61). “Como gosto de cozinhar, sou meio chato com isso”, diz. A ideia é abrigar o maior número possível de banhistas – 1.200 pessoas –, com direito ao som do DJ Márcio Bastos todos os dias, das 11 às 17 horas. Mas tenha muita paciência: em dias de movimento, o atendimento costuma ser devagar.

Pipa Bar e Restaurante  | Rua Desembargador Manoel de Andrade Teixeira, Praia do Flamengo –  71 3378-1182. Diariamente, das 9 às 20 horas

Dança sem fronteiras

postado por Tatiana Mendonça @ 8:10 AM
8 de janeiro de 2012
A psicóloga Glaucia Rodrigues, 50, entrevistada da Muito deste domingo, acredita no poder que a  dança tem de desconstruir  fronteiras políticas, sociais e religiosas. Ela criou o Encontro de Danças e Músicas do Mundo  – Dançando pela Paz,  que no próximo dia 25  chega à sétima edição. A ideia do evento, que traz ao Brasil professores de danças folclóricas, nativas e danças-rituais antigas de povos orientais e ocidentais, é construir um rico painel da cultura do mundo. Leia trechos da conversa de Glaucia com a repórter Cássia Candra:

Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE

Como nasceu o evento?
Fui fazer um workshop de dança dos Balcãs (danças gregas, da Macedônia e ciganas). E conheci um professor que dava aulas na Universidade de Stockton, na Califórnia, Estados Unidos. Eles estavam comemorando 50 anos desses festivais e nunca havia tido uma participação brasileira. Lá, no pós-guerra, as pequenas comunidades se reuniam para manter vivas suas tradições. Como eu trabalhava na Universidade Anhembi Morumbi, achei que havia mais possibilidade de fazer os eventos lá. Fiz os três primeiros. Depois, achei que tinha que trazer  para a Bahia.

Por que a Bahia?
Porque acho um lugar mais receptivo . E tem a coisa do ritmo, aqui. Culturalmente é muito rica. É toda uma história que a Bahia tem de música…  Então, é uma coisa muito sutil até o fato de trazer esses outros ritmos para mesclar tudo. Acredito que tem uma coisa mais elevada nisso.

Qual é a proposta do evento?
O evento propõe um conhecimento prático. E é dirigido a um público comum, não precisa ter conhecimento de dança. Como são danças folclóricas, qualquer pessoa pode dançar. Durante o dia, faz o workshop e, à noite, dança. A maioria das danças são danças circulares; ou danças-rituais antigas, que provocam um efeito psico-físico. São movimentos simples, mas você trabalha em um círculo, em uma roda. Nessa mandala, os participantes integram os opostos, a psique. A roda é este símbolo que vai te remeter à unidade. Quando você está dançando, tem que estar atento ao que está fazendo, então não tem tempo de estar julgando, por exemplo. Cria um centro de força, de canalização de uma energia muito forte. Então, é um evento prático. As pessoas aprendem muito.

A intolerância cultural é expressiva?
Existe muita intolerância cultural fruto do desconhecimento. Então, este ano, por exemplo, trazemos a Rana Gorgani, uma professora do Irã, um país que está sob os olhos do mundo, por causa da ditadura, dos controles muito rígidos. Mas se, por um lado, tem toda uma questão política muito séria, por outro, tem  uma cultura ancestral que não pode ser perdida nem esquecida. Então, neste momento de transformações sociais e políticas, temos que ressaltar o que este povo tem de bom, que é essa cultura ancestral tão abafada. Nessa era de globalização, é difícil encontrar uma coisa que seja de raiz mesmo, então tentamos resgatar isso por meio da dança e da música. Essa professora do Irã vai mostrar as danças que eram dançadas nos haréns. As mulheres achavam que, para chegar ao paraíso, tinham que dançar e ficavam enclausuradas nos haréns. São danças-rituais muito antigas, que trazem toda a sua gestualidade. Ela trabalha muito também com as culturas daquela região, de países como o Afeganistão. Trazemos também as danças dos curdos, uma minoria étnica rejeitada. Eles falam que não têm a terra, mas têm a cultura, as danças, a língua, as vestimentas. Esse movimento nosso começou assim, dançando juntos para nos conhecer.

VII Encontro Internacional de Músicas e Danças do Mundo – Dançando pela Paz | De 25/1 a 29/1 | Hotel Bahia Plaza Resort, Estrada do Coco, km-8, Praia de Busca Vida, Camaçari-Bahia. Tels.: 11 3071-3842 e 11 3847-3584. Veja programação aqui.



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